Sim, os pais fomos feitos para botar ordem na casa, para mandar fazer as coisas mais aborrecidas do Universo, para desligar o Wii, para tirar o cachorro da cama, para contrariar a fome e – de todas as coisas impossíveis – até o sono: mandar para a cama quando não se o tem; tirar da cama quando ele amortece todo o cerebelo.
E assim é, e assim será, porque é preciso reservar aos pais um pouco de não-amor, de modos que, quando eles faltarem – e faltaremos, fatalmente – ao menos um mínimo alívio há de ter o filhote.
Há quatro anos, eu saí de casa cedo e minha filha, de quatro anos, que eu levava para a escola, passou o caminho todo ganindo por um cachorro. Eu não queria um cachorro, e não queria a tal ponto que inaugurei um blog, para dizer: “eu não vou comprar cachorro nenhum”.
Hoje, saí voando do escritório, encontrei a patroa e apresentamos a Mary P. às crianças.
Tudo bem – era uma questão circunstancial, não de princípios. E sem cachorro, não há família. Só vale a pena ser um estereótipo, quando se o é por completo.
Já subi neste mesmo caixote, antes, para vociferar contra a interferência do Ministério Pub’s na venda de brinquedinhos macdonaldianos.
Não funcionou, naturalmente, e os McDs, hoje são obrigados a vender as porcarias dos brinquedinhos separados do sanduíche (lanche é a mãe), para os pápis e a mômis* que não controlam os chiliquinhos de seus rebentos (rebento é a palavra certa, em muitos casos, senão na maioria deles).
Mas como nestas plagas (plagas ou chagas, hein?) o ruim é inimigo do péssimo, os endiabrados Promoters de Justiça, decerto certos de que os McDs são freqüentados, grosso modo, pela plebe ignara, que não sabe cuidar de si mesma e está sujeita a fazer um super-size-me pela vida inteira, e entupir suas veias e os consultórios dos endócrinos da Unimed pelo Brasil afora, os Promoters, então, como eu dizia, decidiram que é melhor proibir de uma vez a venda de brinquedinhos com o sanduíche e pronto, seus coió.
E vão mais longe, claro, porque o péssimo é inimigo do ridículo, e juram que vão impedir os ovos de Páscoa de virem com brinquedinho**. Já há planos, embora não tenham sido revelados, de obrigar os produtores de cenoura e brócoli*** a entregarem seus produtos acompanhados de Max-istius ou Barbs, conforme a opção sexual do petiz.
Não, sério, a atitude é bastante varonil e necessária, aqui, onde ninguém sabe direito o que enfia na boca, nem para quê. Só acho que há preconceito em se tentar proteger apenas os componentes da plebe rude – a elite branca paulista, embora malvadigna, também carece de proteção.
A questã é que os menus dos restaurant’s meio-carinhos da urbe**** incluem, às vezes, um menu infantil, que invariavelmente contém batata smiles, macarrão com molho branco ou ao sugo, e nãguétis. Mas, ora, querem assim acabar com a saúde da elitizinha branquinha paulistinha malvadigna! É ora de agir, Promoters! Peço que incluam na sua quixotesca, dantesca, francesca, momesca batalha contra a obesidade infantil e os brinquedins de araque, a probição de macarrão no nos kid’s menus. Pelo menos o com molho branco, vai. E tenho dito.
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* Acentuação conforme a Reforma Ortopédica de 2009.
** Kinderovos e bengalas de jujuba, beware!
*** Plural em latim, de broculae, conforme a Reforma Otomana de 12 a.C..
**** Os bens carões, não.
Muito me irrita que pensem que eu não me entregaria, em epicurista exceção, às delícias momescas. Só eu de fora? Na-na-ni-na-não. Rio & Carnaval, é só o que há. Clique na musiquinha; squindô-lê-lê and all that sort of things.
Só os melhores blogueiros(1) teriam coragem não só de se mostrar em público, mas também de pôr a nu as suas idéias sobre a nudez. Inesquecível, mesmo, é a personificação da Scarlett J., pelo Pedro 7 - que depois confessou ter comparecido a um evento lésbico (2). Não pensei que viveria para ver e ouvir isso.
E notem: mesmo para papos-de-boteco(3), Apostos escolhem livrarias. No próximo episódio, futebór na biblioteca(4).
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(1) ou os mais senvergogna, né.
(2) sic, tijuro.
(3) papos-de-boteco no melhor sentido da palavra, mind you.
(4) ler DFW provoca excesso de notas-de-rodapé.
Não sei se é apatia, ou costume, ou indiferença – mas ver um brasileiro berrando alegremente nos corredores dos malls da Flórida, como se estivesse num churrasco-na-chácara-do-sogro, já não me faz tão mal. Também já não me chateio quando me perguntam donde venho, e digo “Brazil”, e ouço “Brazil-party-y-yeah!”.
Acho que finalmente ampliei para todos os povos essa vergonha pelo outro, que no fundo é vergonha de ver nas babuínicas atitudes dos seus semelhantes um pouco da sua própria macaquice.
Efetiva misantropia talvez seja isso – passa-se, primeiro, da vergonha de ser brasileiro, para a vergonha de ser humano.
O próximo passo nessa evolução anti-social talvez seja ruborizar quando um cachorro cheirar o fiofó do outro. O que, afinal, não será muito diferente de sentir vergonha de ser brasileiro.